sexta-feira, 14 de maio de 2010

Eu, etiqueta

Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome… estranho.

Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.

Minhas meias falam de produto
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés.

Meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de idade.

Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete.

Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.

Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos de mercado.

Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim-mesmo,
ser pensante, sentinte e solitário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana invencível condição.

Agora sou anúncio
ora vulgar, ora bizarro
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer, principalmente).

E nisto me comparo, tiro glória
de minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.

Eu é que mimosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem à vista exibo esta etiqueta.

Global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum a compromete.

Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam
e cada gesto, cada olhar
cada vinco da roupa
resumia uma estética?

Hoje sou costurado, sou tecido.
Sou gravado de forma universal.
Saio da estamparia, não de casa,
da vitrine me tiram, recolocam,
que se oferece como signo dos outros
objetos estáticos, tarifados.

Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de ser não eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem,
meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.

Carlos Drummond de Andrade - 1942

terça-feira, 11 de maio de 2010

A Claro contratou o Ronaldinho (Fenômeno) para a campanha da Copa... sei não...

A Claro anunciou ontem, dia 10 de maio, o lançamento de sua campanha para a Copa do Mundo de 2010. Sabe quem será o garoto propaganda? Ronaldo, o "ex-fenômeno"... Sei não, fiquei meio na dúvida se esta será uma boa imagem para ser atrelada à marca Claro.

Trabalhando com Comunicação, sempre me preocupei muito com associoações indevidas para com a marca. Utilizar personagens em campanhas é uma técnica muito legal, pois você empresta o equity daquela pessoa/marca para a sua. Só que isto pode gerar resultados positivos ou negativos. A TIM, por exemplo, em 2008, revogou o contrato que tinha com o Ronaldo após os escândalos com travestis. Nada contra os travestis (particularmente adoro-os), mas o que contou neste cancelamento foi a falha no comportamento do personagem contratado - Ronaldo.

Vamos acompanhar para ver no que dá, postarei mais informações no decorrer da campanha.

Para a Claro, desejo sorte e que o "ex-fenômeno" não faça o mesmo que vem fazendo com o meu glorioso Timão.

Fonte: Meio & Mensagem - 10/05/2010

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Cardápio para o Dia das Mães

Sei, estou mais do que atrasada para fazer este post. O Dia das Mães foi ontem e, mesmo que eu o tivesse postado o cardápio às 8 horas da manhã do domingo, ninguém iria conseguir fazer os preparativos à tempo.
De qualquer forma, vale como opção para outras datas festivas... =)

Você deve estar se perguntando: qual o motivo de postar uma receita num blog de uma publicitária? Goodwill funciona para ações de relacionamento entre empresas e clientes e, também, para demonstrar a sua preocupação e carinho para com as pessoas que você gosta. Fazer isto, significa valorizar o relacionamento que você possui com o seu cliente/mãe/marido/amigo...


Salada crocante com molho de queijo azul

Salada: alface, rúcula (pode ser qualquer folha que você tenha), cenoura e beterraba raladas, grão-de-bico cozido e castanhas picadas (ou nozes, avelã etc.).

Molho: 1 potinho de iogurte natural pequeno, 1/2 saquinho de queijo azul ralado, 1 colher de sopa de suco de limão, sal e pimenta à gosto.

Preparo: misture todos os ingredientes do molho em um potinho que você possa guardar na geladeira depois - o molho rende bastante, portanto você poderá utilizá-lo durante toda a semana. Monte pratos individuais com todos os ingredientes da salada, dispostos da forma como você achar mais bonitinho e jogue o molho por cima deles. Para dar um charme, pegue um pouquinho de castanhas picadas e jogue em cima do molho.


Panquecas vegetarianas

Panqueca: no liquidificador, bata, 2 copos de leite, 1/4 de copo de óleo, 2 ovos, sal à gosto e vá juntando a farinha até a massa ficar nem muito grossa nem muito líquida. Frite-as na frigideira e vá enrrolando a massa nos recheios que você tiver feito.

Para os recheios, não coloco a quantidade dos ingredientes, pois eles vão variar a partir da quantidade de comida que você fará. Por exemplo, se você quiser congelar o que sobrar - assim como eu - utilize 1 pacote de ricota para cada recheio. Se você gosta muito de espinafre e for trabalhar com 1 pacote de ricota somente para este recheio, utilize 2 maços de espinafre. E assim por diante...

Cenoura com gengibre e raspas de limão:
Rale a cenoura e cozinhe ela até ficar bem molinha. Escorra a água da cenoura cozinha. Rale um pouquinho de gengibre e a casca de um limão. Misture tudo isso na ricota já temperada.

Espinafre com ricota:
Cozinhe o espinafre, escorra-o e refogue com alho, cebola e sal. Misture na ricota já temperada.

Eu cobri as minhas panquecas com molho branco, pois a minha Mamis é vegetariana e eu servi salmão para acompanhar- mas as panquecas ficam ótimas com um molhinho à bolonhesa... ;-)


Salmão

Pegue uma posta de salmão, tempere com meio limão, alho, cebola, sal e salsinha. Asse no forno. SIMPLES ASSIM!


Bebida
Servi um vinho rosé.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Como criar a identidade da marca?

Como criar a identidade da marca, dentro de um sistema ótimo de associações?

Para operacionalizar a dinâmica entre o signo (marca), o objeto que ele representa (produto) e a resposta positiva do mercado (todos aqueles que mantém contato com a marc – clientes, parceiros, colaboradores etc.), é preciso que a empresa tome uma série de decisões estratégicas sobre como ela vai agir com cada um de seus públicos para que consiga ter sempre associações positivas a seu respeito por todos eles, gerando lucro para a empresa. Kotler (2006) resume claramente esta dinâmica quando afirma que o Marketing nada mais é que satisfazer as necessidades e os desejos dos clientes e, que o dever de qualquer negócio é proporcionar valor para o clientre mediante o lucro.

Em um mercado com abundância de opções e tendo um consumidor com cada vez mais racionalidade na compra (já que tem acesso às mais variadas fontes de informação sobre as empresas e seus produtos), as respostas positivas dos mesmos com relação à marca somente poderão acontecer caso a empresa consiga entregar o produto com um valor superior aos demais em todas as esferas do Marketing Holístico. Para tanto, a empresa deverá posicionar-se estratégicamente no seu segmento de atuação, bem como definir os valores de sua marca e o modo como vai atuar em cada ponto da sua gestão.

Determinar, então, o posicionamento da marca requer conhecer o mercado em que se vai atuar, saber como funciona a sua concorrência e, a partir daí, definir quais as associações ideais deverão ter com relação com a marca. O mercado de atuação de uma empresa está relacionado a todos os consumidores que tenham vontade, condições financeiras e oportunidade de comprar o produto. Segmentá-lo significa dividir estes potenciais clientes em grupos que possuam características em comum, distinguindo-os dos desmais públicos, a fim de compreender mais facilmente como trabalhar o composto de Marketing da empresa. Independente de qual forma a segmentação for feita, o importante aqui é determinar exatamente o perfil do público ou do mercado que será atendido pela empresa. Sempre priorizando o segmento que mais proporcionará ganhos de lucro.

Tendo definido o público-alvo, indiretamente, os profissionais de Marketing já perceberão quais são os seus concorrentes – uma coisa é fruto da outra. Conhecê-los permeia analisar o desempenho de cada um deles com relação à sua estratégia de distribuição, eficiência em trabalhar com recursos e custos, preço e a propenção em ser um produto substituto ao seu ou não. Keller (2003, p. 73) explica que é importante “não ser muito restrito na definição da concorrência. Muitas vezes ela pode ocorrer no nível do benefício, em vez de no nível do atributo”. Muitos produtos são organziados pelos consumidores segundo uma hierarquia, de forma a colocar a concorrência em diferentes níveis. Exemplo:

Conseguir fazer da marca o alvo em todas as vezes em que o consumidor precisa escolher um produto, ou uma categoria de produto, representa a amplitude da lembrança desta marca e das situações e associações de seu uso. Este é o motivo pelo qual é preciso trabalhar as diferenças de atributos ou de benefícios ao consumidor, para que os elementos sejam distinguidos com facilidade.

Então, o posicionamento estratégico da marca permeia definir ou compreender à qual categoria o produto se enquadra, considerando seu público e concorrência, e de declarar quais são os seus pontos de diferença em relação aos concorrentes desta categoria. Mas, há também marcas que atuam em diversas categorias de produtos ou, à medida que evoluem em um segmento, podem expandir seu siginifcado para outros mercados ou produtos.

Portanto, também é importante “definir um conjunto de valores centrais da marca para capturar as dimensões importantes dos significados da marca e do que ela representa” (KELLER, 2003, p. 83). Os valores centrais de uma marca representam tudo o que pode ser associado à mesma, ou seja, todas as crenças, atitudes, opiniões, sentimentos, imagens e experiência que os consumidores relacionam à marca. Já a alma da marca concentra o conceito de existência e os valores da marca. Ela orientará todos os colaboradores, fornecedores e terceiros envolvidos no negócio da empresa a como atuar para garantir que a marca represente exatamente sua proposta aos consumidores. Ela orientará, também, quais novos produtos poderão ou não ser lançados sob o seu nome, quais canais de distribuição utilizar, quais campanhas publicitárias veicular, sob qual conceito etc.

Isto cria o que David Aaker (1998, p. 80) define como identidade da marca: “um conjunto exclusivo de associações com a marca que o estrategista de marcas ambiciona criar ou manter. Estas associações representam aquilo que a marca pretende realizar e implicam uma promessa aos clientes, feita pelos membros da organização”. O quadro abaixo foi estruturado para representar este modelo.


Referências bibliográficas:
KOTLER, Philip. Administração de Marketing. 12 Ed. São Paulo: Pearson, 2006.
KELLER, Kevin Lane. Gestão estratégica de marcas. 4ª Ed. São Paulo: Pearson, 2006.

AAKER, David. Brand Equity: Gerenciando o Valor da Marca. 13ª ed. São Paulo: Elsevier, 1998.

Mas afinal, o que é marca?

A literatura sobre Marketing reserva diferentes e complementares explicações sobre o que é marca. Para a American Marketing Association (AMA), marca é um “nome, termo, sinal, símbolo ou design, ou uma combinação de tudo isso, destinado a identificar os produtos e serviços de um fornecedor ou grupo de fornecedores para diferenciá-los de outros concorrentes”. Philip Kotler (2006) também aborda o significado da marca seguindo estes conceitos, porém dividindo as características do produto como tangíveis (relacionadas a questões funcionais e racionais) e intangíveis (voltadas para questões simbólicas e emocionais). Já para Clotilde Perez (2004, p.10), uma marca é “uma conexão simbólica entre uma organização, sua oferta e o mundo do consumo”.

Estas definições ora reduzem a marca à mera representação gráfica do produto ora somam as experiências simbólicas àquilo o que a marca representa. Perez, entretanto, extrapola este entendimento ao conectar a organização, a oferta e o consumo como elementos de representação da marca. Assim, voltando para os conceitos de Marketing abordados no capítulo anterior, podemos definir que a marca, juntamente com todos os seus elementos de expressão, representa todas as atividades da organização para a produção, entrega da oferta e de valor ao consumidor, bem como a sua interpretação por parte deste mesmo consumidor. Como em uma teia, as trocas que uma empresa faz não estão somente entre seu produto e quem o adquire, dela também fazem parte a organização, seus colaboradores, os processos, enfim, toda a cadeia de relacionamentos da empresa. Sendo a marca, a representante de tudo aquilo que a empresa promove, a sua reputação depende da forma como a empresa vai atuar neste mercado, da sua capacidade de entregar o conceito da marca para o consumidor, dentro de toda esta cadeia. Keller (2006) resume este conceito quando diz que a marca é “algo que criou um certo nível de conhecimento, reputação e proeminência no mercado”. A marca possui uma relação de afetividade e emoção com o consumidor que a coloca em um patamar muito além da mera distinção de coisas, possuindo um aspecto psíquico na sua existência e relação com o meio ao qual está inserida.

Se um produto sem marca é apenas um objeto comum, aquele que a possui, agrega em si uma série de percepções, ritos, sentimentos, experiências, capazes de criar uma mitologia de marca, afirma Perez (2004). Algumas marcas, inclusive, estão tão fortemente enraizadas na mente dos consumidores, que passam a suplantar o seu contexto semântico e tornam-se sinônimo de categoria de produtos. É o caso da marca brasileira Bombril, que atualmente tornou-se metonímia de lã de aço utilizada para lavar louças.

Figura 3: Logotipo Bombril (MUNDO DAS MARCAS.
Disponível em . Acesso 13 jan. 2010)

Ultrapassando este limite, o Professor Paulo de Lencastre , Professor Titular da Universidade Católica Portuguesa da cidade do Porto - Portugal, afirma que, ao vivermos em uma sociedade que há muito perdeu a maioria dos mitos que possuía (religião, conto de fadas etc.), abrimos espaço para que as marcas, através de todo o sistema de comunicação que possui conosco, passem a ser o objeto de nossos sonhos, de nossas aspirações, inclusive dos mundos que sequer fazemos parte.


Referências bibliográficas:
KOTLER, Philip. Administração de Marketing. 12 Ed. São Paulo: Pearson, 2006.


PEREZ, Clotilde. Signos da marca: Expressividade e Sensorialidade. São Paulo: Thomson, 2004.
KELLER, Kevin Lane. Gestão estratégica de marcas. 4ª Ed. São Paulo: Pearson, 2006.
LECASTRE, Paulo de. O livro da Marca. São Paulo: Dom Quixote, 2005.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Programa Circo Circuito



Aqueles que gostam de ouvir boa música como nos velhos tempos, na vitrola, vão adorar este programa. Lipa e Tiago contam histórias de movimentos musicais perdidos no limbo da história, mas que sempre estiveram à frente de seu tempo. O ouvinte fica conhecendo um pouco mais da trajetória de diversos tipos de bandas - das desconhecidas às famosas!

Os meninos são divertidíssimos e mostram coisas realmente interessantes a respeito da música. Um exemplo é o programa "Produz Raul", com músicas de bandas e pessoas que foram produzidas pelo mestre Raul Seixas. Há outro dedicado somente a músicas que falam sobre a Rua Augusta daqui de São Paulo.
O programa está no ar há 1 ano e já é assistido por amantes da música de todo o mundo.



Vale a pena conferir!